domingo, 5 de abril de 2009

TH NEWS FLASHES XI [Nas escadarias da vida]


Palavra da vez: LAÇOS.
De tempos em tempos experimentem sentar à mesa de bar com pessoas queridas em volta. Perguntem o que têm feito. O que têm desejado. Que conquistas foram alcançadas. Questionem acerca daquele velho pensamento ou sobre aquelas maneiras de enxergar as coisas (filosofia de vida), se continuam intactos. Inquiram sobre suas frustrações, sobre como superaram (ou se), como conseguiram se sobrepujar perante elas para poderem estar ali, intactos, vivos, relatando todas essas coisas.
Na escada da vida, todos nós passamos por estágios importantes. Nossas vidas sofrem reflexo das coisas ao redor, do meio em que vivemos, das pessoas com as quais nos relacionamos, das guinadas que o destino resolve aplicar...concursos em que somos aprovados, aqueles com quem escolhemos nos casar, filhos que nascem, netos...viagens para fora, novas temporadas, até músicas que antes escutávamos e hoje não ouvimos mais. Não há nada mais inconstante do que viver, e eu acho isso bonito. Acho válido. A capacidade do ser humano em se reinventar de acordo com mudanças singulares em suas sagas é muito importante. Seja na incrível adaptabilidade às mesmas, seja no instinto reacionário quando contrários. O que ouvi ontem, num encontro familiar num barzinho, ao som estiloso de muito chorinho, samba antigão, num ambiente totalmente "gafieira refinado", foram conversas de 5 pessoas - 4 da mesma geração e uma de outra (eu), compartilhando emoções, alegrias, calor humano, pensamentos, tristezas, memórias e uma boa cervejinha para sublinhar.
Incrível como meu pai e minha tia Neuza são iguais. A despeito de terem nascido no mesmo 20 de Setembro, porém em anos diferentes, esses dois virginianos se parecem em tudo: na maneira de ordenar as coisas, nos medos, nos preconceitos (e uma das histórias mais engraçadas foi constatar que minha tia, no passado, namorou o cantor Djavan, e meu pai tinha um preconceito ferrenho contra ele pela cor...coisa, felizmente superadíssima, mas foi divertido saber que o hoje cantor talentoso e bem sucedido, antes já fora confundido com um mendigo...risos). Ambos, de todos os 6 filhos da minha querida avó Noélia (in memoriam), são os mais "afins". Eles tem uma ligação muito poderosa, uma irmandade muito forte, que vigora inclusive em tempos em que não estavam se falando por motivos pesados (que também foi pauta do encontro, com direito a pedido de perdão e tudo o mais). Tio Carlos, seu marido, continua sempre o mesmíssimo (e olha que tem coisa de uns dez anos que não nos víamos...minto, nove, foi em 2000, quando minha avó faleceu). Continua falante, reacionário, sem papas na língua, inteligente, analista de pessoas, comportamentos. Ontem, boa parte da prosa foi comigo e a gente trocou figurinhas demais...ele elogiou muito minha decisão de procurar a felicidade profissional, seja ela onde for, inclusive na minha ida para SP. Ele me deu forças para tentar fazer Jornalismo e tentar ser Roteirista, e até me falou de um livrinho que eu tinha escrito no aniversário da minha prima Fernanda, sobre nossa família, que ele guarda até hoje com carinho. Eu fiquei incrédulo e bastante comovido. Com minha Tia Neuza, o xodó foi maior. Eu sei que, dentre todos os sobrinhos, mais ainda que meus irmãos, eu sempre fui o preferido (e olha que são muitos hein? Uns 10!). Minha posição de favorito sempre foi conhecida de todos, e até motivo de chateação por parte de meu irmão, mas eu nunca deixei de ocupar o posto, e a prova disso é que se passam anos e nossa cumplicidade permanece forte. Minha prima Nandinha não estava no encontro porque estava em São Paulo fazendo sua pós graduação em Odonto Pediatria. A ironia é que ela vai acabar o curso na época em que estou indo pra lá...risos.
Sobre os comentários familiares, minha mana foi unanimidade na mesa - todos realmente a enxergam como uma inteligência incomum, única, e uma bagagem cultural formidável. Questionaram como seria como mãe, e acham (inclusive eu mesmo) que ela não seria bem sucedida, tamanho seu destrambelhamento e individualismo. Teceram opiniões acerca também dos caminhos percorridos pelo meu irmão, que optou por casar e viver junto logo (notei uma pontinha de crítica nas falas, mas cada um pensa do seu modo). Senti um tanto de solidariedade, altruísmo e companheirismo com relação a meus planos futuros; Adorei os elogios à minha mãe - inclusive da minha madrasta, que falou de maneira muito feliz da educação que ela deu a mim e meus irmãos. Meus tios também reconheceram que pessoa batalhadora e guerreira ela é. Os relatos sobre meus avós maternos - tão queridos inclusive pela família do meu pai, também foram construtivos e emocionantes, além de divertidos, afinal meu avô, Edmar, é uma verdadeira figura, dono de momentos engraçados e memoráveis. Por fim, uma real conclusão acerca do jeito "eremita" do meu avô paterno, Nelson, que se isola e não procura ninguém, nem netos, nem filhos. Tudo isso, aliviado com hilárias lembranças de quando eu, meus irmãos e minhas primas éramos quando pequenos, bem ao estilo "criança diz cada uma", que sempre torna todo teor dessas reuniões super leve.
Um encontro que sei que daqui a um tempo, não sei exatamente quando, teremos de volta, com novos acontecimentos, novidades profissionais e mais estórias para contar. Temos mais degraus para escalar nessa escadinha, para depois, em determinado ponto, descansarmos e compartilharmos. Já me ponho ansioso para tal.


TH - Conjecturando

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